Marcela Gontijo Nutroclinica
Tratamentos
Disbiose Intestinal

Condição clínica de alteração da microbiota intestinal, que pode estar associada a várias doenças, tais como síndrome do intestino irritável (SII) e doenças inflamatórias intestinais (DIIs), doença de Crohn e colite ulcerativa.


Os hábitos de vida também predispõem ao desenvolvimento da disbiose tais como: estresse, uso frequente de antibióticos, laxantes, corticoides e antiácidos, alterações na motilidade intestinal, alimentação inadequada, toxinas alimentares, poluição, alcoolismo, imunodeficiência, infecção ou infestações intestinais e alterações do pH gástrico ou intestinal. Além disso, a dieta do indivíduo pode ser considerada uma das mais importantes causas da disbiose, pois a alimentação influencia de modo direto a composição da microbiota intestinal. A disbiose também pode estar associada a intolerâncias alimentares decorrentes da deficiência de enzimas digestivas, por exemplo, a deficiência de lactose, que promove intolerância ao açúcar do leite. Além disso, outros fatores também podem contribuir para o desenvolvimento da disbiose, como a idade, o tempo de trânsito e o pH intestinais, a disponibilidade de material fermentável e o estado imunológico do hospedeiro.


É caracterizada pelo supercrescimento bacteriano no intestino delgado, em virtude da redução da produção de ácido gástrico, no estômago, juntamente com o excesso de atividade fermentativa bacteriana. Em geral, os indivíduos são frequentemente afetados pela intolerância ao glúten e podem ter os sintomas acentuados após o consumo de carboidratos não digeríveis, fermentados pela microbiota.


Assim, a disbiose é um estado em que a microbiota produz efeitos prejudiciais por meio de: (1) mudanças qualitativas e quantitativas na flora intestinal; (2) mudanças em suas atividades metabólicas; e (3) mudanças em sua distribuição local.


Entre os principais sintomas clínicos apresentados pelos indivíduos, estão flatulência, náuseas/vômitos, cólicas, diarreias, constipação/prisão de ventre, inchaço/abdome distendido, azia, dor estomacal/intestinal. Esses sintomas indicam uma disbiose intestinal e justificam a realização de exames específicos para conferir o equilíbrio da flora intestinal.


O diagnóstico desse distúrbio é realizado pela investigação dos seguintes fatores: relatos de constipação crônica, flatulência e distensão abdominal; sintomas associados como fadiga, depressão ou mudanças de humor; culturas bacterianas fecais; exame clínico que revela abdome hipertimpânico e dor à palpação, especialmente no cólon descendente. Estudos recentes têm apontado novas possibilidades para o diagnóstico da disbiose, mediante a aplicação de testes genéticos que permitem o mapeamento do perfil da microbiota intestinal para um conjunto selecionado de bactérias, possibilitando a identificação e a caracterização da disbiose.


Em casos de disbiose intestinal, terapias apropriadas devem ser prescritas para restaurar a eubiose (equilíbrio da microbiota intestinal). O tratamento da disbiose abrange duas linhas, uma dietética, por meio da ingestão de alimentos que beneficiam a constituição da microbiota intestinal, e outra usando medicamentos. No tratamento dietético, os prebióticos da dieta, ou seja, substâncias fermentáveis, não digeríveis, que promovem o desenvolvimento seletivo e ativa o metabolismo de bactérias benéficas no trato intestinal, especialmente as bifidobactérias, visam modificar a composição do ecossistema intestinal por meio de mudanças nutricionais.


Além disso, a dietoterapia para a prevenção e o tratamento da disbiose exige reeducação alimentar, evitando-se o excesso de ingestão de carboidratos, que podem levar à maior fermentação pelas bactérias no intestino grosso, tais como o açúcar branco e também leite e derivados, isso porque a proteína pode produzir putrefação aumentada.